1.
INTRODUÇÃO:
·Cardeal Martini, Arcebispo de Milão, em seu livro
“Sobre o Corpo”, é o ponto de referência
para nossa conversa de hoje. ·A Palavra de Deus que
ilumina nossa visão cristã da
sexualidade:A.“Deus criou o homem à sua imagem;
à sua imagem o criou; homem e mulher os criou”. (Gn
1,27)
B.“Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas
misericórdias de Deus, a oferecerdes os vossos corpos em
sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: este
é o vosso culto espiritual”. (Rm12,1)
C.“O corpo não é para a devassidão,
ele é para o Senhor e o Senhor é para o
corpo”.(I Cor 6,13)
2.HOMEM E MULHER OS CRIOU:·No mito
grego, narrado por Platão: “Um dia Zeus, querendo
castigar o homem sem destruí-lo, o partiu em dois. Dali para
diante cada um de nós é o símbolo de um homem,
a metade que procura a outra metade, o símbolo
correspondente”. (O Banquete, XVI) No mito, está
presente algo que experimentamos: o corpo como palavra não
dita, realidade não completa, que remete ao outro.
·Na Bíblia, o corpo do homem e o da mulher
são criados à imagem e semelhança de Deus,
também enquanto macho e fêmea. Isto é
fundamental para entender o que é o corpo e como se torna
ele mesmo.
·“Não é bom que o homem esteja
só” (Gn 2,18.21-23). Quando o homem acorda, tem um
grito de alegria e maravilha pela alteridade da mulher. O homem
exulta na superação da solidão, na descoberta
do outro.
·O meu corpo tem uma palavra precisa inscrita em si: esta
palavra é o outro. O corpo se torna ele mesmo diante do
outro, pondo-se em relação. Se eu quiser
possuir o outro, não será mais “outro”, e
eu permanecerei só, sem nenhum
“outro”.
3.IMPLICAÇÕES DESTA VERDADE
BÍBLICA:·“O outro diz o
Outro”: A palavra inscrita no corpo fala de Deus, do
santo, o “Outro”. Santo significa
“diverso”: Lv 11,44 e I Cor 6, 13.16. Meu corpo
é chamado a ser templo de Deus, de um modo diverso,
próprio de Deus.
·“O selo de Deus”: O Homem e
a Mulher são chamados a ser imagem e semelhança de
Deus, a exprimir na alteridade sexual o vulto de Deus que é
amor, colocando-se em relação de simpatia,
comunhão e fecundidade. O corpo humano tem o selo de Deus,
pelo que será chamado a viver um amor que não se
fecha em si mesmo. É o amor divino que permite ao nosso
corpo existir. O sexo contém uma palavra sublime de
amor, que realiza a pessoa à imagem de Deus, cuja santidade
é o amor. Uma sexualidade que não redescobre
a palavra do corpo reduz o corpo à insensatez, desonrando-o
e desprezando-o, esvaziando-o de seu significado.
·“Sexualidade e liberdade”:
A sexualidade é uma energia à
disposição de cada um, mas depende de mim o seu uso.
O corpo humano é uma conexão entre a liberdade e a
necessidade, vai além do instinto. A liberdade do
cristão é viver o corpo com a capacidade de servir-se
dele para amar. Não é fazer o que agrada ou somente o
que eu devo, mas fazer o que agrada a Deus, pois me alegra agradar
a quem me ama e eu amo. A beleza e a harmonia da
sexualidade vêm a ser aprendidos, para serem dirigidas com
liberdade, segundo a inspiração do Senhor.
·“O Corpo como limite”: A
sexualidade é o limite que remete à outra pessoa,
diversa de mim. É o lugar mais evidente para ser contra ou a
favor do outro. O exercício da sexualidade diz respeito
à outra pessoa. Cada um, masculino ou feminino, conhece a si
mesmo através de uma reflexão sobre si mesmo. Mas
há aspectos que só são conhecidos do homem
pela mulher e vice-versa.
·“Complementariedade, não
diferença”: Diferença significa um
relacionamento desigual, onde um é maior ou menor do que o
outro. Também a idéia de diversidade é
insuficiente, pois sublinha características estranhas entre
as pessoas. É melhor falar de integração ou
complementariedade, que faz alegrar-se com o bem que o outro tem e
se transforma justamente em princípio de comunhão no
dom, na acolhida e no serviço recíproco, impregnando
de humildade, respeito, fidelidade e reverência o amor.
·“O homem se transforma naquilo que
ama”: Deus se torna a vida do ser humano (Dt 6,4). O
relacionamento entre homem e mulher é figura do
relacionamento com Deus. O ser humano é feito para amar a
Deus de modo absoluto, como sua única referência em
sentido pleno. O amor do homem e da mulher é um eco do amor
de Deus, que o levou a unir-se ao ser humano, para ser com ele, em
Jesus, uma só carne. Pode-se dizer também,
reciprocamente: “Quem se une ao Senhor, forma com ele
um só espírito” (I Cor 6,17).
·“Sexualidade e
responsabilidade”: Quando a Igreja fala de
sexualidade está lendo a sabedoria comum dos povos à
luz do Evangelho, que compreende que sem restrições
não haverá um sentido verdadeiro de alegria. A
intenção da Igreja é educativa!
A.A regra clássica: A satisfação
conseqüente da união amorosa de suas pessoas tem
verdadeiro significado humano quando há fidelidade
recíproca e abertura à fecundidade; tudo o
que não entra nesta regra carece de sentido pleno;
B.O sentido do pecado vem quando há um gesto livre que
perturba de modo grave o equilíbrio interior e relacional da
sexualidade bem ordenada e o relacionamento de
submissão ao desígnio de Deus para a
felicidade humana.
C.Muito do que se desvia da regra fundamental é devido a
uma sexualidade preguiçosa e desordenada. Ocorre um
caminho de clareza e vitória sobre si
mesmo. O conselho de uma pessoa madura e o sacramento da
reconciliação serão sempre uma grande
ajuda.
·“O consumismo do sexo”: A
sexualidade não pode ser degradada a coisa ou ídolo,
ou imagem. Como nossa cultura é de imagens e não do
espírito, ela não consegue perceber a dimensão
mais profunda e mais verdadeira do corpo.
4.A CASTIDADE:·João Paulo II:
“A castidade é a atitude transparente
no relacionamento com a pessoa de outro sexo”.
·A castidade é ordem, equilíbrio,
domínio, harmonia. Muitos afirmam ser propriedade sua o
corpo, mas isto contradiz o que dissemos sobre o corpo como
relação.
·A castidade é bonita porque reconhece o
senhorio de Jesus Cristo sobre o corpo (I Cor 6,13), faz
viver no corpo a liberdade do Espírito com os frutos
elencados por São Paulo na Carta aos Gálatas
(5,22)
·A Castidade tem significado e
concretização diversa de acordo com os estados de
vida. Na adolescência e na juventude são
postas as bases para o desenvolvimento da pessoa e acontece a
formação da coerência e domínio de si
que se refletirá de modo benéfico em todas as fases
da existência.
·Educar-se para a castidade: não basta a
razão! É necessária intuição
espiritual que ajude a acolher as exigências
decorrentes do fato de que nosso corpo é do Senhor.
Isto exige humildade, perseverança,
oração.
·Educação para a
castidade:- Castidade como superação
de mentalidade de posse e de consumo, onde o prazer
é mais um produto.
-Castidade e pureza de coração(Mt 5,8): ela
é uma atitude mais ampla do que a castidade, mas que a
inclui e permite descobrir a causa de não poucas
dificuldades;
-Frutos da castidade: experiência
unificante da vida, liberdade dos falsos absolutos, abertura,
disponibilidade.
- Formação para o conhecimento do
corpo e atitudes de saída de si desde o nascimento.
- Um jovem ou uma jovem só se tornam homem e mulher
quando capazes de esquecer de si para o bem dos outros e o bem do
outro. Antes disso, são psicologicamente ainda
crianças ou adolescentes. Aprender a amar não
é iniciar-se nas técnicas do ato sexual, mas a sair
de si. Sem esta formação é quase
impossível nascer uma vocação
evangélica. Um jovem casto é capaz de dizer sim ao
Senhor!
- Educar-se para a castidade é possível para quem
busca o desígnio de Deus, quem se apaixonou pela sua
vontade!
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