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Respeitar e conhecer a pessoa amada  escrito em quinta 26 junho 2008 18:08

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Respeito implica ausência de exploração

Um elemento que provoca ruptura no amor conjugal é a falta de respeito de uma pessoa para com a outra. Não basta dizer que ama, pois o amor exige respeito. O conceito que o psicanalista alemão Erich Fromm apresenta é contundente:

 

“Respeito não é medo e temor; denota, de acordo com a raiz da palavra (respicere = olhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como é, ter conhecimento de sua individualidade singular. Respeito significa a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como é. Respeito, assim, implica ausência de exploração. Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos, e não para o fim de me servir. Se eu amo a outra pessoa, sinto-me um com ela, ou ele, mas com ela tal como é, não como eu necessito que seja para objeto de meu uso. O respeito só existe na base da liberdade... o amor é filho da liberdade, nunca da dominação”.

 

É sempre uma tentação querer dominar, estar à frente, liderar. Mas no caso do casal cristão, numa relação matrimonial sadia, isso será pernicioso, pois dominar fere o princípio da liberdade da pessoa, a qual sempre precisa ser respeitada. Se eu amo de verdade eu quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva, para ela ser mais; e não para meu benefício, para me fazer feliz ou me fazer crescer, pois isso seria pura exploração.

 

A proposta cristã é um respeito incondicional para com a outra pessoa, e esse respeito só existe se houver o conhecimento mútuo. O não conhecer o outro é grande causa de divergência nas relações humanas entre homens e mulheres. Há várias camadas de conhecimento; o conhecimento, que é um dos aspectos do amor, é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando posso transcender a preocupação por mim mesmo e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Poderíamos dizer que conhecer profundamente, ou no seu âmago, a sua alma, é desligar-se até daquilo que ela apresenta exteriormente.

 

Muitas pessoas são agressivas exteriormente, mas isso pode ser fruto de algum sofrimento interior que só quem ama saberá conhecer e compreender essa atitude. Quem conhece deverá se dispor a ajudar a pessoa naquilo que ela tem de deficiente, nas suas imperfeições; e se pode, a partir deste pressuposto, interferir para ajudá-la a sair de uma situação inferior para que cresça em sua pessoalidade. E isso é como desvendar um mistério, pois a pessoa apresenta “segredos”, de forma que conhecê-la passa a ser um desafio, pois para conhecer alguém será sempre necessário o autoconhecimento.

 

Fica a dica para o leitor: se despoje de você mesmo para experimentar, em uma relação a dois, a graça da felicidade: fruto de um profundo respeito que nasce do conhecimento mútuo.

 

Paulo Roberto Oliveira Lourenço

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Educar-se para a castidade é possível para quem busca o desígnio de Deus  escrito em quarta 25 junho 2008 11:42

Afetividade e Sexualidade

Arquivado em: — dialogodefe at 7:52 pm on Terça-feira, Junho 24, 2008
9831txt.jpg1. INTRODUÇÃO:

·Cardeal Martini, Arcebispo de Milão, em seu livro “Sobre o Corpo”, é o ponto de referência para nossa conversa de hoje. ·A Palavra de Deus que ilumina nossa visão cristã da sexualidade:A.“Deus criou o homem à sua imagem; à sua imagem o criou; homem e mulher os criou”. (Gn 1,27)

 

B.“Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes os vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual”. (Rm12,1)

C.“O corpo não é para a devassidão, ele é para o Senhor e o Senhor é para o corpo”.(I Cor 6,13)

2.HOMEM E MULHER OS CRIOU:·No mito grego, narrado por Platão: “Um dia Zeus, querendo castigar o homem sem destruí-lo, o partiu em dois. Dali para diante cada um de nós é o símbolo de um homem, a metade que procura a outra metade, o símbolo correspondente”. (O Banquete, XVI) No mito, está presente algo que experimentamos: o corpo como palavra não dita, realidade não completa, que remete ao outro.

 

·Na Bíblia, o corpo do homem e o da mulher são criados à imagem e semelhança de Deus, também enquanto macho e fêmea. Isto é fundamental para entender o que é o corpo e como se torna ele mesmo.

·“Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18.21-23). Quando o homem acorda, tem um grito de alegria e maravilha pela alteridade da mulher. O homem exulta na superação da solidão, na descoberta do outro.

·O meu corpo tem uma palavra precisa inscrita em si: esta palavra é o outro. O corpo se torna ele mesmo diante do outro, pondo-se em relação. Se eu quiser possuir o outro, não será mais “outro”, e eu permanecerei só, sem nenhum “outro”.

3.IMPLICAÇÕES DESTA VERDADE BÍBLICA:·“O outro diz o Outro”: A palavra inscrita no corpo fala de Deus, do santo, o “Outro”. Santo significa “diverso”: Lv 11,44 e I Cor 6, 13.16. Meu corpo é chamado a ser templo de Deus, de um modo diverso, próprio de Deus.

 

·“O selo de Deus”: O Homem e a Mulher são chamados a ser imagem e semelhança de Deus, a exprimir na alteridade sexual o vulto de Deus que é amor, colocando-se em relação de simpatia, comunhão e fecundidade. O corpo humano tem o selo de Deus, pelo que será chamado a viver um amor que não se fecha em si mesmo. É o amor divino que permite ao nosso corpo existir. O sexo contém uma palavra sublime de amor, que realiza a pessoa à imagem de Deus, cuja santidade é o amor. Uma sexualidade que não redescobre a palavra do corpo reduz o corpo à insensatez, desonrando-o e desprezando-o, esvaziando-o de seu significado.

·“Sexualidade e liberdade”: A sexualidade é uma energia à disposição de cada um, mas depende de mim o seu uso. O corpo humano é uma conexão entre a liberdade e a necessidade, vai além do instinto. A liberdade do cristão é viver o corpo com a capacidade de servir-se dele para amar. Não é fazer o que agrada ou somente o que eu devo, mas fazer o que agrada a Deus, pois me alegra agradar a quem me ama e eu amo. A beleza e a harmonia da sexualidade vêm a ser aprendidos, para serem dirigidas com liberdade, segundo a inspiração do Senhor.

·“O Corpo como limite”: A sexualidade é o limite que remete à outra pessoa, diversa de mim. É o lugar mais evidente para ser contra ou a favor do outro. O exercício da sexualidade diz respeito à outra pessoa. Cada um, masculino ou feminino, conhece a si mesmo através de uma reflexão sobre si mesmo. Mas há aspectos que só são conhecidos do homem pela mulher e vice-versa.

·“Complementariedade, não diferença”: Diferença significa um relacionamento desigual, onde um é maior ou menor do que o outro. Também a idéia de diversidade é insuficiente, pois sublinha características estranhas entre as pessoas. É melhor falar de integração ou complementariedade, que faz alegrar-se com o bem que o outro tem e se transforma justamente em princípio de comunhão no dom, na acolhida e no serviço recíproco, impregnando de humildade, respeito, fidelidade e reverência o amor.

·“O homem se transforma naquilo que ama”: Deus se torna a vida do ser humano (Dt 6,4). O relacionamento entre homem e mulher é figura do relacionamento com Deus. O ser humano é feito para amar a Deus de modo absoluto, como sua única referência em sentido pleno. O amor do homem e da mulher é um eco do amor de Deus, que o levou a unir-se ao ser humano, para ser com ele, em Jesus, uma só carne. Pode-se dizer também, reciprocamente: “Quem se une ao Senhor, forma com ele um só espírito” (I Cor 6,17).

·“Sexualidade e responsabilidade”: Quando a Igreja fala de sexualidade está lendo a sabedoria comum dos povos à luz do Evangelho, que compreende que sem restrições não haverá um sentido verdadeiro de alegria. A intenção da Igreja é educativa!

A.A regra clássica: A satisfação conseqüente da união amorosa de suas pessoas tem verdadeiro significado humano quando há fidelidade recíproca e abertura à fecundidade; tudo o que não entra nesta regra carece de sentido pleno;

B.O sentido do pecado vem quando há um gesto livre que perturba de modo grave o equilíbrio interior e relacional da sexualidade bem ordenada e o relacionamento de submissão ao desígnio de Deus para a felicidade humana.

C.Muito do que se desvia da regra fundamental é devido a uma sexualidade preguiçosa e desordenada. Ocorre um caminho de clareza e vitória sobre si mesmo. O conselho de uma pessoa madura e o sacramento da reconciliação serão sempre uma grande ajuda.

·“O consumismo do sexo”: A sexualidade não pode ser degradada a coisa ou ídolo, ou imagem. Como nossa cultura é de imagens e não do espírito, ela não consegue perceber a dimensão mais profunda e mais verdadeira do corpo.

4.A CASTIDADE:·João Paulo II: “A castidade é a atitude transparente no relacionamento com a pessoa de outro sexo”.

 

·A castidade é ordem, equilíbrio, domínio, harmonia. Muitos afirmam ser propriedade sua o corpo, mas isto contradiz o que dissemos sobre o corpo como relação.

·A castidade é bonita porque reconhece o senhorio de Jesus Cristo sobre o corpo (I Cor 6,13), faz viver no corpo a liberdade do Espírito com os frutos elencados por São Paulo na Carta aos Gálatas (5,22)

·A Castidade tem significado e concretização diversa de acordo com os estados de vida. Na adolescência e na juventude são postas as bases para o desenvolvimento da pessoa e acontece a formação da coerência e domínio de si que se refletirá de modo benéfico em todas as fases da existência.

·Educar-se para a castidade: não basta a razão! É necessária intuição espiritual que ajude a acolher as exigências decorrentes do fato de que nosso corpo é do Senhor. Isto exige humildade, perseverança, oração.

·Educação para a castidade:- Castidade como superação de mentalidade de posse e de consumo, onde o prazer é mais um produto.

 

-Castidade e pureza de coração(Mt 5,8): ela é uma atitude mais ampla do que a castidade, mas que a inclui e permite descobrir a causa de não poucas dificuldades;

-Frutos da castidade: experiência unificante da vida, liberdade dos falsos absolutos, abertura, disponibilidade.

- Formação para o conhecimento do corpo e atitudes de saída de si desde o nascimento.

- Um jovem ou uma jovem só se tornam homem e mulher quando capazes de esquecer de si para o bem dos outros e o bem do outro. Antes disso, são psicologicamente ainda crianças ou adolescentes. Aprender a amar não é iniciar-se nas técnicas do ato sexual, mas a sair de si. Sem esta formação é quase impossível nascer uma vocação evangélica. Um jovem casto é capaz de dizer sim ao Senhor!

- Educar-se para a castidade é possível para quem busca o desígnio de Deus, quem se apaixonou pela sua vontade!

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Não sei perder  escrito em terça 17 junho 2008 13:36

A vida é uma constante de vitórias e de derrotas

Quando criança praticava os mais variados tipos de esportes. Sempre gostei de disputar, competir, e claro, de vencer. Isso me trouxe um problema, pois detestava perder. Lembro-me de minha mãe dizendo, várias vezes, quando me via reclamando de uma derrota no jogo de bolinhas de gude, por meu time ter perdido no futebol ou por qualquer outra derrota: – “Menino, você precisa aprender a perder!” É verdade. Eu preciso aprender a perder!

 

A vida é uma constante de vitórias e de derrotas. Faz parte da dinâmica da nossa existência. E nesse movimento de alegrias e tristezas, de conquistas e de ruínas, em fevereiro de 2007, tive minha pior derrota: perdi meu pai.

 

Na morte do meu pai senti falta de não ter aprendido a perder. Nessa perda, a maior da minha vida, tive vontade de desistir de tudo, de me revoltar com Deus, de brigar e reclamar, como fazia quando perdia qualquer disputa na minha infância, mas uma situação interessante aconteceu. No momento do enterro tudo foi muito doloroso. Só quem já passou por essa situação sabe como é. Eu estava de braços cruzados e de repente uma mão se enfiou por debaixo do meu braço e segurou a minha mão.

 

Não olhei para ver de quem era aquela mão. Na verdade, nem sabia ao certo quem eram as pessoas daquela multidão que acompanhava o enterro. O que importava é que alguém me deu a mão, alguém segurava a minha mão no momento em que eu perdi, no momento da derrota. Assim que terminou o enterro aquela mão se soltou e a pessoa voltou-se para trás. Depois fui saber quem me dera o apoio, mas na hora nem pensei em procurar o dono daquela mão, pois sabia que aquela era a mão de Deus.

 

Ainda não aprendi a perder. Ainda sofro com as derrotas. Mas essa experiência tem me feito buscar nas derrotas a presença de Deus, que não me deixa só. A mão de Deus que me ampara. A presença de Deus que me faz crer que depois da morte vem a ressurreição. E a ressurreição é vida nova. Mudanças positivas acontecem. Novidades aparecem…

 

De lá para cá continuei perdendo, mas por meio dessas derrotas, tenho tentado permitir que Deus, com sua mão, não somente me ampare, como fez no dia do falecimento do meu pai, mas que também me conduza pelos caminhos que Ele tem para mim. Afinal: "Somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou" (Rm 8,37).

 

 

Denis Duarte
denisufv@yahoo.com.br
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Harmonia Conjugal  escrito em terça 17 junho 2008 13:34

 
Casamento, uma escola de amor

O casamento, e a família de modo especial, é uma escola de amor, porque a convivência diária obriga a acolher os outros com respeito, diálogo, compreensão, tolerância e paciência. Esse exercício forte de vivência das virtudes faz cada um crescer como pessoa humana. Na família, Deus nos ensina a amar e nos dá a oportunidade de sermos amados.

 

A harmonia conjugal é atingida quando o casal, na vivência do amor, ‘supera-se a si mesmo’ e harmoniza as suas qualidades numa união sólida e profunda. Quando isso ocorre cada um passa a ser enriquecido pelas qualidades do outro. Há, então, como que uma transfusão de dons entre ambos. Mas, para isso, é preciso que o casal chegue à unidade, superando as falsidades, infantilidades, mentiras e infidelidades. Para chegar a esse ponto é necessário olhar para o outro com muita seriedade, respeito e atenção.

 

Ninguém é obrigado a se casar e a constituir uma família, mas se tomamos esta decisão, então devemos ‘casar pra valer’, com toda responsabilidade. Aquela pessoa com quem decidimos nos casar é a ‘escolhida’ entre todos os homens ou mulheres que conhecemos; e, portanto, como o(a) eleito(a), devemos ter-lhe em alta estima, como a pessoa ‘especial’ na nossa vida, merecedora, portanto, de toda atenção e respeito.

 

É lamentável que entre muitos casais, com o passar do tempo, e com a rotina do dia-a-dia, a atenção com o outro, e, pior ainda, o respeito, vão acabando. Não tem lógica, por exemplo, que um ofenda o outro com palavras pesadas, o que provoca ressentimentos; não tem cabimento que o marido fique falando mal da esposa para os outros, criticando-a para terceiros. Isso também é infidelidade. Pois esta não acontece somente no campo sexual.

 

Por outro lado, é preciso cuidar para que a atenção e o carinho para com o outro não diminuam. É importante manter acesa a chama do desejo de agradar o outro. São nos detalhes que muitas vezes isso se manifesta: Qual é a roupa que ela gosta que eu vista? Qual é o corte de cabelo que ele gosta? Qual é a moda que ele gosta? Qual é a comida de que ele gosta? Quais são os móveis que ela gosta? Qual é o carro que ela prefere? Qual é o lazer que ele gosta? Enfim, a preocupação em alegrar o outro – sem cair no exagero, é claro – é o que mantém a comunhão de vidas.

 

 


Ouça comentários de André e Cris Bittencourt sobre o tema

 




 

 

Isso não quer dizer que o amor conjugal deva ser um ‘egoísmo a dois’. Como dizia Exupéry: “Amar não é olhar um para o outro, mas é olhar ambos na mesma direção”. Isto é, o casal não pode parar em si mesmo, ele tem grandes tarefas pela frente: os filhos, a ajuda aos outros, a vida na Igreja, entre outros. Importa olhar na mesma direção e caminhar juntos.

 

Para que a harmonia aconteça é preciso conhecer o outro. Cada um de nós é um mistério insondável, único e irrepetível. Somos indivíduos. Não haverá dois iguais a você na face da terra e na história dos homens, mesmo que se chegue ao absurdo da clonagem do ser humano. Cada um de nós é insubstituível, e isso mostra o quanto somos importantes para Deus.

 

Quando nos casamos, recebemos o outro das mãos de Deus e da família, como um presente ímpar, singular, sem igual, e que deve, portanto, ser cuidado com o máximo cuidado, para sempre.

É fundamental para a vida do casal que cada um conheça a história do outro: a sua vida, o seu passado, a realidade familiar de onde veio, entre outros, para poder compreendê-lo, ajudá-lo, amá-lo e perdoá-lo. Ninguém ama a quem não conhece. Quando o casal não se conhece bem, acaba cometendo dois erros: antes do casamento parece que o outro não tem defeitos; e depois do casamento parece que tem todos.

 

Ao conhecermos a profundidade desse ‘mistério’ que é o outro, teremos, então, condições reais de aceitá-lo como ele é, e, a partir daí, ajudá-lo a se superar.

 

 

Do livro “FAMÍLIA, SANTUÁRIO DA VIDA”

 

Prof. Felipe Aquino

 

 

 

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Juntar vidas é juntar limitações  escrito em terça 17 junho 2008 13:33

 
Não existe relacionamento maduro sem renúncia

Quando nos aproximamos de alguém e iniciamos qualquer tipo de relacionamento (amizade, coleguismo, namoro, matrimônio, ideais religiosos, etc...), nos aproximamos também de suas fraquezas e frustrações. Quanto mais próxima for nossa convivência, maior será essa constatação, pois teremos um contato muito maior com as limitações da pessoa. Somente pela experiência do amor verdadeiramente autêntico é possível ao ser humano começar a curar suas enfermidades e construir uma história de vida equilibrada. Só o amor verdadeiro pode curar as feridas que trazemos embutidas em nossa vida.

 

Ao unir duas pessoas, em qualquer relacionamento, o amor une também seus sofrimentos. Juntar vida é juntar limitações. O sofrimento e o amor são as experiências mais íntimas e pessoais que existem. Se o amor revela o lado bonito da vida, o sofrimento está sempre presente para lembrar um lado menos bonito, mais sério e triste. E aqui não se trata de fazermos uma escolha entre amor e sofrimento. Na verdade, essas duas realidades são a manifestação de uma única existência.

 

Excluir o amor ou o sofrimento da vida é aniquilar-se. Somos modelados pelo amor e pelo sofrimento. Infelizmente, como estamos vivendo num mundo cada vez mais superficial, em que as pessoas buscam as coisas fáceis, instantâneas e descartáveis, queremos fugir de relacionamentos que exigem sacrifícios, renúncia, garra, perdão, recomeço...

 

 


Nielson Soares fala sobre a sua expectativa diante do casamento

 



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Buscamos coisas mágicas. Queremos emoções momentâneas, súbitas, fugazes. Só é bom aquilo que é imediato e não exige esforços. Acontece que tudo que tem essas características são realidades que se dissolvem rapidamente. Do mesmo jeito que chegam, partem. Temos medo daquilo que exige intensificação de forças físicas, intelectuais ou morais para a sua realização. Fugimos daquilo que exige dificuldade e empenho, trabalho e empreendimento. Falta-nos coragem, destemor e valentia. Com isso, quando deparamos com os sofrimentos que existem no amor, queremos idealizar um amor sem sofrimento, uma vida inconseqüente.

 

Numa vida superficial, na qual falta coragem para lutar, a pessoa perde a garra para levar adiante os relacionamentos que exigem sacrifício. Por isso, muitos se conformam e acabam por abandonar o barco. Uma coisa é certa: sem esforço, garra e renúncia não existe cura para o ressentimento; do mesmo jeito que sem perdão não existe a possibilidade de amar. Não existe relacionamento maduro e equilibrado sem renúncia, perdão e sacrifício.

 

Relacionamento é algo que não acontece de uma hora para outra. O verdadeiro relacionamento deve ser cultivado todos os dias e a cada dia. Sem esse cultivo, o menor sentimento negativo vira ressentimento e mata o amor.

 

 

Artigo extraído do livro "A cura dos ressentimentos"

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